Na semana passada, o Supremo revogou a condução coercitiva: agora, se alguém se recusar a atender a uma intimação, não se pode obrigá-lo a comparecer perante o juiz. Em mais uma batalha entre o Brasil moderno e o Brasil do atraso, venceu o atraso: onde já se viu alguém ter o direito de se recusar a cumprir ordem judicial?
Tolstoy observou que as famílias felizes são muito parecidas entre si, enquanto que as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. É fácil entender: para ser felizes, as famílias têm que ter sempre os mesmos requisitos (saúde, dinheiro, amor etc.); quanto às infelizes, falta um requisito diferente a cada uma.
(…)
Faltam-nos muitos requisitos para a felicidade, mas o principal parece ser a sensatez: ela está ausente no Supremo, no Planalto, no Congresso, na Previdência, nos transportes, no setor privado, no sistema tributário, ¬no petróleo, e também na saúde, na segurança, na educação e em muitos outras áreas.

Nossos governantes e empresários não precisam ler Tolstoy: eles precisam ler “A Marcha da Insensatez”, em que a historiadora Barbara Tuchman estuda o que leva os governos a tomar decisões irracionais que conduzem seus países ao abismo.

Coluna de hoje, no O Globo > https://glo.bo/2rqyGQ9 Leia todas as colunas publicadas por Ricardo Rangel no Jornal O Globo.

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