April 22, 2018 at 01:43PM

Aécio não era jovem, era moleque. Não era inteligente, era calculista. Não tinha ambição, tinha ganância. À fortuna da família, preferiu as gorjetas dos arrivistas, e trocou a estirpe de Tancredo pela laia dos Batista. Herdeiro da melhor tradição, escolheu ser representante do que há de mais atrasado.

Como Dorian Gray, Aécio manteve a aparência jovem e impoluta durante anos, enquanto seu caráter, oculto pela hipocrisia, apodrecia em silêncio. Assassinou-se a si mesmo — e expôs sua decrepitude em praça pública.

Uma minoria está de luto: sua morte atrapalha a narrativa do “golpe”. Mas a narrativa se adapta: agora, diz-se que Aécio é apenas um boi de piranha. Mais intrincada e espaventosa se torna a teoria da conspiração. Para calar a própria consciência, que brada “acorda, Lula é culpado!”, é preciso gritar “Lula livre” e xingar os outros de fascistas a cada minuto.

Minha coluna no Globo de hoje.

https://oglobo.globo.com/cultura/ricardo-rangel/

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