09/08/2017 – 4

Um dia, 35 anos atrás, meu pai chegou em casa às gargalhadas. Vinha de um almoço com um amigo que lhe contara que pretendia votar em Agnaldo Timóteo para deputado federal. “É o que canta melhor.” Cantar bem, aliado a uma personalidade histriônica, deu a Timóteo uma enxurrada de votos em 1982. Timóteo fez furor ao telefonar da Câmara para sua mãe e cantar “Mamãe estou tão feliz” (https://goo.gl/UgUwFQ) — cada país tem o Pavarotti que merece, confira: https://goo.gl/Pt23LB. Trata-se de um gozador, dos melhores. Outra personalidade pitoresca a ganhar um caminhão de votos em 1982 foi o cacique xavante Mario Juruna, que, cansado de ouvir mentiras dos políticos, passou a andar com um gravador, que usava para registrar as lorotas que lhe pregavam. Passado tanto tempo, cantar bem continua sendo um motivo melhor do que a maioria para votar em alguém. E a inovação de Juruna, de gravar os políticos, tornou-se algo não apenas corriqueiro mas quase obrigatório, verdadeira esperança de redenção nacional. Agnaldo Timóteo, gozador, está tendo dificuldades de ter sua candidatura aceita pelo PT, composto de gente muito mal humorada.

Com vocês, Emídio de Souza, presidente do diretório paulista do partido: “Vamos avaliar. O PT tem um processo de filiação e um filtro para escolher quem vai ser candidato a deputado federal.” Parece que Timóteo não atende aos rigorosos critérios de admissão do partido. Não sei, não. O PT é mal humorado, mas desconfio que, nesse caso, quem está de gozação é Emídio.

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