01/08/2017 – 5

Desde a descoberta do mensalão, a maior parte da esquerda vem numa espiral ascendente de erros. A cada vez que fica claro que cometeu um erro, no afã de não admitir que o cometeu, comete um novo erro, ainda maior. A sequência chegou ao ápice, provavelmente insuperável, de apoiar Nicolás Maduro num momento em que o mundo inteiro, incluindo os chavistas, o repudiam. É uma atitude irracional, infantil, estúpida, estarrecedora. Essa débâcle da esquerda é muito ruim para todo mundo. É ruim para ela própria, claro, que, execrada por uma enorme parte da população, torna-se irrelevante e isolada. É ruim para a esquerda decente, que tem dificuldade de mostrar que é diferente, e até que existe. E é ruim para todos nós, porque todo país (o nosso, mais do que a maioria) precisa de uma força política que tenha por prioridade a luta contra a desigualdade e pela redistribuição de renda e pelos direitos das minorias.

A luta pela igualdade é missão histórica da esquerda. À medida que a esquerda se desmoraliza, essa luta se desmoraliza junto. Observe: basta mencionar “justiça social”, que aparece alguém dizendo que você é petralha, comunista ou socialista fabiano. É do conflito virtuoso entre os que querem mais igualdade e os que querem mais liberdade que se constrói um país. Sem uma das pernas, ficamos mancos, não vamos a lugar nenhum.

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