01/08/2017 – 4

No fim de maio de 1940, Hitler encurralou as tropas aliadas em Dunquerque, no norte da França. De costas para o mar, sem ter para onde fugir, 400 mil soldados aguardavam a morte certa — ou um milagre. O milagre se concretizou quando centenas de barcos civis evacuaram, em uma semana, cerca de 340 mil homens, sem que os alemães pudessem impedi-los. A maior, mais eficiente, mais famosa operação de retirada de tropas da História foi realizada por cidadãos comuns. Dunquerque é, simultaneamente, um dos maiores desastres militares já ocorridos e uma assombrosa reviravolta. Escrito e dirigido pelo inglês Christopher Nolan, “Dunkirk” (lamentavelmente, foi mantido o título original, que, no Brasil, não quer dizer nada) corrige o lapso, mas trai Hollywood quase por completo. Com o mínimo de efeitos especiais, “Dunkirk” foi rodado inteiramente em locação, com milhares de extras, com navios e aviões autênticos. E é um filme de guerra com pouco sangue e nenhum soldado inimigo. (…) “Dunkirk” é excepcional. (…) Quando o resgate terminou, Churchill, em um de seus discursos mais famosos, proclamou: “nunca nos renderemos”. Mas fez uma ressalva: “devemos ter cuidado para não dar a esse resgate os contornos de uma vitória: não se vencem guerras com retiradas”.

Na guerra contra a violência, a intervenção militar no Rio não é nem será uma vitória: é uma espécie de retirada, nos dá um pouco de oxigênio e tempo para pensar no que fazer. Minha coluna no Globo de hoje.

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